O problema é que a realidade está bem distante desses sonhos. Grande parte do mercado não se enquadra nesse tipo de empresa revolucionária. "O jovem vem com essa projeção que não bate com a real, o que já gera frustração. Para piorar, as empresas de segmentos tradicionais, na tentativa de retê-lo, começam a mudá-lo de área. A ideia é: se ele passar por tudo, não haverá monotonia", diz Tupinambá.
Essa lógica, porém, causa outro conflito. "O jovem pensa: depois que eu passar por todas as áreas, já posso ser diretor. A cabeça dele funciona na velocidade digital e ele quer ser presidente da empresa em um ano e meio. E como isso não acontece, acaba mudando de emprego", completa Tupinambá.
Assim, cria-se um ciclo de frustração. "O jovem acaba não parando em lugar nenhum, porque se frustra na primeira contrariedade e entende que aquilo não é pra ele. Ele fica pulando de empresa em empresa, ou até muda de carreira, porque sente que lhe falta algo", reforça Valéria Brandini, cientista social e uma das autoras do estudo.
Mas, então, o que se deve fazer para satisfazer os anseios da Geração Y? A resposta, segundo o estudo, é investir em programas sérios de coaching e mentoring.
"O jovem precisa ter alguém para mostrá-lo que permanência é sinônimo de formação de competência. Hoje ele acha que deve apostar na mudança, que quanto mais empresas ele tiver no currículo, mas sucesso terá", afirma Tupinambá.
"Hoje, com 22 anos o jovem já tem um MBA e muita informação, mas não tem experiência e não sabe que ela é essencial para uma pessoa se projetar no mercado de trabalho", completa Valéria.
Segundo Tupinambá, o coaching serviria como meio de aprofundar essa informação. "É preciso apresentar um contexto de admiração, de referência. O coach tem que sair mais do que chefe".
E os resultados da pesquisa mostram que é exatamente isso o que a Geração Y quer. Em uma escala de 1 a 5 (sendo 5 o que mais importa) ter um chefe que ensine sobre o mundo corporativo recebeu a avaliação média de 4,07 entre os respondentes. O reconhecimento do talento por parte da liderança aparece em seguida, com uma média de 3,19. Já a liberdade para trabalhar recebeu média de 2,76, avaliação parecida com a da necessidade de receber feedbacks constantes, com média de 2,67.
"Esse jovem tem que perceber que a empresa está preocupada com a formação da carreira dele, que ele vai crescer lá dentro", diz Tupinambá. Isso também implica em delegar responsabilidade, dar espaço para ele testar as suas ideias e ver se elas são boas ou ruins. "Alguém precisa ensiná-lo a descobrir, apontar o que está errado e direcioná-lo. A Geração Y sente falta disso".
Um indício de que o mentoring é algo desejado pela Geração Y é que, segundo a pesquisa, os jovens não têm medo das cobranças e querem que suas capacidades sejam exploradas e reconhecidas. Questionados sobre o ambiente de trabalho, 36% disseram que a pior característica que ele pode ter é a falta de investimento no colaborador. Em seguida, aparecem a falta de perspectiva para o futuro profissional (33%) e a impessoalidade e a frieza (24%). As cobranças extenuantes só foram assinaladas como o principal problema por 5% dos respondentes.
Além do coaching, de acordo com os pesquisadores, também é uma boa alternativa deixar que os jovens participem da vida ativa da empresa. "É preciso colocá-lo (o jovem) em uma reunião importante, deixá-lo participar de brainstorms. Aquela coisa de reunião de diretoria — com exceção em casos de informações confidenciais — não funciona. O jovem quer trocar experiências, fazer a diferença. Isso só acontece se ele participar", defende Tupinambá.
Outro ponto que motiva a Geração Y a trabalhar em uma companhia é a defesa de uma causa. E a causa, aqui, não precisa estar necessariamente relacionada a questões sociais ou ambientais, mas sim a qualquer objetivo claro. E não adianta ficar só no discurso. "A empresa tem que falar a real. Quanto mais transparência e mais dignidade ela tiver dentro do que ela propõe, quanto mais ela agir conforme diz, mais interessante é. Porque hoje eles (os jovens) descobrem qualquer coisa", reforça Valéria, em referência à internet.
Segundo o estudo, o maior desejo profissional da Geração Y é trabalhar em algo que contribua efetivamente para a melhoria da comunidade. Essa foi a resposta dada por quase metade dos pesquisados (49,8%). Em seguida, aparece o desejo de ser "o melhor" naquilo que faz, com 18% das respostas.
Fonte: EXAME.COM